
PRINCÍPIOS DO CEVE
e a VIDA ANIMAL
O CEVE não adota práticas ritualísticas que envolvam o sacrifício de animais.
Essa orientação decorre de seus Princípios fundamentais, que compreendem a Vida como valor central a ser preservado e desenvolvido. Dentro dessa visão, ritos que impliquem, direta ou indiretamente, a supressão da vida animal não se harmonizam com a proposta filosófica e espiritual do terreiro.
Tal posicionamento, contudo, não se confunde com julgamento ou desrespeito às tradições que adotam o sacrifício ritual como fundamento litúrgico. O CEVE reconhece e respeita profundamente esses caminhos religiosos, especialmente aqueles que mantêm formas consagradas e ancestrais de relação com o alimento, a natureza e o sagrado. Em tradições como o Candomblé, o sacrifício ritual é precedido por cerimônias específicas que dignificam o ato, destinando à Natureza as forças vitais e à comunidade o sustento. Cada parte do animal é tratada segundo normas litúrgicas rigorosas, e o alimento resultante é partilhado coletivamente, geralmente em celebrações que encerram ciclos iniciáticos.
Essa herança milenar remete a um tempo em que o divino, o humano e a natureza participavam de uma mesma dinâmica simbólica, sentando-se, por assim dizer, à mesma mesa. Não é diferente do que ocorre em muitas celebrações religiosas amplamente aceitas na cultura contemporânea, nas quais a abundância alimentar se organiza em torno de carnes e aves abatidas, quase sempre sem qualquer ritualização ou reflexão ética mais profunda. A crítica dirigida seletivamente a determinadas tradições revela, muitas vezes, desconhecimento ou preconceito, mais do que preocupação real com a vida.
O CEVE reconhece que esse é um tema sensível e, por isso, não se propõe a alimentar controvérsias. Sua intenção é apenas afirmar, com clareza e serenidade, que a opção por não realizar sacrifícios animais é de natureza filosófica, e não fruto de ignorância, negação da tradição ou desinformação.
Em coerência com essa escolha, o CEVE desenvolveu práticas ritualísticas que utilizam elementos de origem vegetal. Certas propriedades energéticas tradicionalmente atribuídas ao sangue animal podem ser trabalhadas por meio do uso consciente das ervas, cujo sumo — frequentemente chamado de “sangue verde” — é obtido a partir de processos ritualizados de plantio, colheita e preparação. A seiva extraída é empregada em amacis, banhos e outros ritos específicos, enquanto os resíduos vegetais são destinados a defumações e práticas complementares.
Importante destacar que o uso ritual das ervas no CEVE não se confunde com aplicações terapêuticas ou medicinais. Por princípios éticos, o terreiro não administra substâncias com finalidade curativa, mantendo sua atuação restrita ao campo espiritual e energético, em respeito aos limites que orientam sua prática e sua responsabilidade religiosa.
